Produção de energia clandestina no telhado eleva em R$ 72 a conta de luz anual de cada consumidor brasileiro

Fraude em geração distribuída vai gerar custo adicional de R$ 5 bilhões em 2026 no setor elétrico nacional

Brasília, maio de 2026 – Uma nova modalidade de fraude no setor elétrico brasileiro ameaça pesar diretamente no bolso da população: cada consumidor deverá pagar aproximadamente R$ 6 a mais por mês na conta de luz devido ao avanço da geração distribuída clandestina. A análise é da consultoria RAD, com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Apelidada de “gato no telhado”, a prática consiste na instalação de sistemas de geração distribuída sem autorização ou com capacidade superior à aprovada, o que permite aos proprietários se beneficiarem indevidamente de subsídios e regras mais vantajosas no uso da rede elétrica.
“Estamos falando de um impacto direto e concreto de mais R$ 72 na conta de luz anual de cada brasileiro que paga corretamente”, explica Reginaldo Medeiros, CEO da RAD. “Trata-se de uma transferência silenciosa de renda que penaliza quem cumpre a lei”, complementa.
De acordo com estimativas da Aneel, a geração distribuída irregular pode já representar entre 12 e 15 GW de capacidade instalada no país, com potencial para gerar um custo adicional de até R$ 5 bilhões em 2026. Esse valor será inevitavelmente repassado às tarifas.
“Essa fraude cria um subsídio cruzado perverso. Quem burla o sistema economiza, e quem segue as regras paga a diferença”, diz Reginaldo Medeiros.
Além do impacto financeiro, a prática compromete a operação do sistema elétrico. A injeção de energia não prevista pode provocar sobrecargas, inversão de fluxo e instabilidades, o que exige ações emergenciais por parte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), como o corte de geração em momentos de baixa demanda.
Atualmente, os custos com furtos de energia e fraudes no Brasil já somam cerca de R$ 10 bilhões por ano, o que representa aproximadamente R$ 12 mensais adicionais nas contas de luz. Com o avanço do “gato no telhado”, esse valor chega a R$ 18. “O consumidor brasileiro já paga caro pela ineficiência e pelas fraudes existentes e, agora, começa a pagar também por uma irregularidade sofisticada, concentrada em áreas de alta renda”, afirma Medeiros.
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